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Goiás testa remédios para o mundo

Data: 29/11/2013

O Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF) é uma ilha de excelência em pesquisas e validação de medicamentos com referência internacional. E, o melhor, é uma instituição nascida e consolidada em Goiás, com profissionais de ponta do Estado e formados em universidades de goianas. Pouca gente sabe da importância do ICF e do trabalho realizado por seus técnicos, mas a indústria farmacêutica do mundo inteiro está atenta ao que é feito em Goiás.

Fundado em 2001 por um grupo de médicos, farmacêuticos e bioquímicos para atender a demanda por testes de medicamentos das indústrias de Goiás, o ICF se firmou logo com uma referência em “testes de bioequivalência”, como explica o “investigador-chefe de pesquisas clínicas”, Sérgio Vêncio.

Médico endocrinologista formado pela Universidade Federal de Goiás e com exemplo a seguir para a medicina desde o berço, seu pai foi professor da mesma UFG, ele se especializou em diabetes em alguns dos principais centros de pesquisa do mundo e comanda a equipe de cientistas que avaliam medicamentos no ICF.

“Aqui nós realizamos testes de bioequivalência e de biodisponibilidade, dentre outras formas de pesquisa científica ligadas à área de medicamentos. Já realizamos mais de 500 estudos de bioequivalência e participamos do desenvolvimento de novos medicamentos e do aprimoramento desses fármacos para a população”, explica.

O ICF foi o primeiro laboratório do gênero certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e hoje é auditado por organismos internacionais para onde presta serviços na área de pesquisa farmacêutica. A necessidade de um instituto nesses moldes surgiu com a permissão para que indústria farmacêutica passasse a fabricar medicamentos somente pelo seu princípio ativo, apresentando na embalagem o nome “genérico” do composto.

Testes em humanos

Sérgio Vêncio explica que de forma mais simplificada os testes são feitos em humanos, que são submetidos a uma dose do medicamento e têm avaliada a dinâmica dele no organismo. “São voluntários que ficam internados por um período médio de 24 horas em nossa estrutura hospitalar, recebem a dosagem padrão do medicamento e têm analisado amostras de sangue para avaliar a concentração desse remédio no organismo humano, o pico de sua ação no corpo dos pacientes e como é metabolizado. De forma global como esse medicamento age no corpo dos pacientes é objeto da pesquisa”. Isto, segundo ele, se chama farmacocinética.

Na Avenida Rio Verde, em Aparecida de Goiânia, onde ficava o Hospital São Carlos, foi montada a Unidade Clínica do ICF. São mais de 2 mil m² destinados a leitos hospitalares, atendimento clínico dos voluntários, farmácia, sala de primeiros socorros, laboratório de separação de amostras biológicas, área exclusiva para coletas extras, UTI móvel 24 horas, auditório e as diretoriasClínica e Comercial.

A responsável pelo recrutamento e controle de voluntários, Josiany Moreira, explica que o ICF possui um banco de pessoas que participam das pesquisas que já soma aproximadamente 40 mil indivíduos cujas idades variam de 20 a 50 anos, gozam de saúde perfeita e são remunerados por isto.

A clientela do ICF é seleta e dispersa por vários países. Sérgio Vêncio comenta que o laboratório presta serviços para indústrias farmacêuticas do mundo inteiro. “Somos o único do gênero na Região Centro-Oeste e no Brasil existem no máximo 10 laboratórios que desempenham serviço similar. Temos clientes em países de ponta em pesquisas de medicamentos como Canadá, Alemanha, Holanda, Chile e Argentina”.

Comparação e análise de medicamentos

O médico Sérgio Vêncio explica que nos testes de bioequivalência são comparadas as medicações e para isto são necessários voluntários sadios com idade, peso e até sexo são levados em conta. A grande maioria dos voluntários é de Aparecida de Goiânia e também de Goiânia.

A remuneração para esses voluntários varia de R$ 500 por teste até R$ 3 mil. Há uma exigência de que participando de uma pesquisa o voluntário só possa retornar para nova rodada de pesquisas seis meses depois. O Comitê de Ética e Pesquisas avalia todos os protocolos de pesquisas e outros assuntos tão importantes no trabalho, como a própria remuneração dos voluntários, o tempo que as pessoas vão ficar submetidas à medicação e outros detalhes. O perfil dos voluntários é de universitários que querem complementar sua renda e até mesmo desempregados.

Equipamentos ultra-avançados

O diferencial do ICF, como explica Sérgio Vêncio, é que o instituto tem equipamentos de ponta para os testes. “São colhidas cerca de 30 amostras de sangue durante o período em que os voluntários ficam internados na unidade e submetidos a rigorosos testes de espectrometria de massa para dar a exata dosagem do medicamento testado no organismo desses indivíduos”, comenta.

As amostras de sangue são colhidas ao longo do dia e cada voluntário chega a ter até meio litro de sangue retirado para as análises. Durante o período eles recebem alimentação e toda atenção para aliviar o estresse de ficar internado, com a veia perfurada com uma agulha todo o tempo e tomando remédio sem estar doente.

Testes de medicamentos novos

Está em andamento um conjunto de testes de um novo medicamento desenvolvido por um laboratório que é um gigante da indústria farmacêutica. Uma insulina que custa a bagatela de R$ 150 a caixa e que dura no máximo um mês está em testes e o ICF está recrutando pacientes diagnosticados com diabetes em no máximo três meses.

“Pacientes com diagnóstico de diabetes terão toda assistência com medicamento e acessórios para dosar insulina no organismo durante cinco anos, além de exames e consultas com especialistas. Para isto serão tratados com esse medicamento e serão submetidos a avaliação periódica”, explica.

Esse medicamento é considerado revolucionário e a comunidade científica tem avaliado que poderá ser possível curar ou mesmo controlar o diabetes com ele com diagnóstico precoce. É uma pesquisa que está sendo feita no mundo inteiro e que já conta com 12 mil pacientes integrados a ela.

O ICF está contatando endocrinologistas para notificar casos recém-diagnosticados da doença e a disposição de pacientes para participar da pesquisa.

Há outros medicamentos em áreas distintas como cardiologia, pneumologia e obesidade e medicamentos que estão sendo desenvolvidos em Goiás, por faculdades de farmácia goianas. “Isto atesta a capacidade de pesquisa e desenvolvimento dos nossos cientistas”, finaliza Sérgio Vêncio.

 

 

(Fonte: Diário da Manha – 28/11/2013)



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