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Vacina para zika vírus deve demorar até 10 anos

Data: 15/12/2015

A proteção mais eficaz contra o zika vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, é uma vacina para tornar o organismo imune à infecção. O problema é que ela pode demorar até 10 anos para ficar pronta. "Como já temos algum conhecimento para esse tipo de vírus, pode ser que leve entre 8 e 10 anos, mas não menos do que isso", diz o médico Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan, em São Paulo. 
Segundo Kalil, pesquisadores da instituição já teriam começado a discutir com técnicos dos Institutos Nacionais de Saúde, do governo dos Estados Unidos, quais estratégias podem ser usados para se chegar a uma vacina. Os técnicos americanos estiveram no Butantan para discutir o assunto. "Ainda não começamos a trabalhar, mas já estamos pensando na estratégia científica", diz Kalil. "Queremos começar a trabalhar nisso já nos mês que vem (janeiro)", diz Kalil. "Acreditamos que o tipo de vacina para zika será semelhante ao da febra amarela e ao da dengue, que estamos desenvolvendo no Instituto Butantan." Hoje, a Agência Nacional de Vigiliância Sanitária autorizou o início da última fase de testes da vacina da dengue em humanos. Ela é feita com o vírus enfraquecido.


No mês passado, autoridades de saúde brasileiras descobriram a relação do zika vírus, que suspeita-se tenha começado a circular no País em 2014, e os casos de microcefalia em bebês. A microcefalia é uma deficiência no crescimento cerebral que pode causar atraso mental e problemas de audição e visão. A relação foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde. Este ano, o País já teve 1.761 casos em 422 municípios, em 13 estados, além do Distrito Federal. A microcefalia também pode ser causada por outros tipos de infecções durante a gravidez, como pelo protozoário Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, e pelo citomegalovírus, causador da herpes.


Para chegar a uma vacina contra o zika vírus, os pesquisadores terão de vencer as etapas previstas normalmente para se chegar a uma vacina:  desenvolver o modelo molecular, testar em animais não-primatas, depois em macacos e, finalmente, em seres humanos. Além disso, para o zika vírus, ainda algumas dificuldades adicionais. Primeiro, é preciso conhecer melhor o vírus para saber se há apenas um tipo. O da dengue, por exemplo, tem quatro versões.


Os cientistas também precisam saber como o sistema de defesa do organismo reage ao zika: há a possibilidade de se criar imunidade com uma única infecção, o que significa que não ocorrerá mais infecção, ou de o vírus ficar inativo e voltar a ser ativado em algumas circunsctâncias. Esse último caso dificulta o desenvolvimento de uma vacina. Até hoje, segundo registros da OMS, não se conhece nenhum caso de pessoas que tenham pegado o vírus mais do que uma vez - uma notícia animadora para as perpectivas de desenvolvimento de uma vacina. O zika vírus foi descoberto em 1947, em uma floresta de Uganda, na África, onde causava epidemias pontuais em locais isolados. Por isso, nunca se teve muitas informações sobre a evolução da doença e características do vírus causador.


 

(Fonte: Época – 11/12/2015)



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